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terça-feira, 24 de maio de 2011

3a SÉRIE - MORFOLOGIA

EXERCÍCIOS DE LÍNGUA PORTUGUESA – PROFA. LÚCIA DEBORAH
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS - I
1. (UFPI-PI - modificada) 
Após a morte, o corpo começa a enrijar e não há rogo ou súplica que impeça esse processo.
As palavras enrijar e rogo foram formadas, respectivamente, por derivação:

a) parassintética - sufixal
b) parassintética - regressiva
c) prefixal - sufixal
d) sufixal - prefixal
e) prefixal - regressiva

2. (UFPB-PB) A alternativa que apresenta processo de derivação prefixal, conforme desobedecer, é:

a) desmaiar.
b) deslizar.
c) desonrar.
d) despachar.
e) deslumbrar.

3. (UNIRIO-RJ) Marque a opção correta quanto à classificação dos elementos mórficos destacados nos vocábulos abaixo.

a) mundo: desinência de gênero
b) sagacidade: sufixo formador de. substantivo
c) compõem: vogal temática
d) destroem: desinência modo-temporal
e) amor: radical

4. (FUVEST-SP) Nas palavras atenuado, televisão, percurso temos, respectivamente, os seguintes processos de formação de palavras:

a) parassíntese, hibridismo, prefixação.
b) aglutinação, justaposição, sufixação.
c) sufixação, aglutinação, justaposição.
d) justaposição, prefixação, parassíntese.
e) hibridismo, parassíntese, hibridismo.

5. (PUCC-SP) Observe: o verbo atrair produz atração. Usando esse modelo, aponte os substantivos para:

a) aspergir
b) mudar
c) isentar

6. (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por prefixação:

a) irregular, amoral, demover
b) remeter, conter, antegozar
c) readquirir, predestinado, propor
d) irrestrito, antípoda, prever
e) dever, deter, antever

7. (ESAM-RN) Assinale a alternativa cujas palavras são, respectivamente: parassintética, onomatopaica e híbrida.

a) anoitecer - coaxar - televisão

b) deslealdade - chilrear - automóvel
c) fidalgo - zunzum - embarcar
d) descobrimento - tique-taque - decímetro
e) enriquecer - zás-trás - pernalta

8. (CESGRANRIO-RJ) Marque a série em que ambos os vocábulos sejam formados com o prefixo in- significando negação, privação:

a) ilegal/introduzir
b) imigrar / imoral
c) impor / ininterrupto
d) improdutivo / improvisar
e) inativo / irreal

9. (COVEST-PE) Assinale a alternativa em que o prefixo latino não apresenta o mesmo sentido que seu correspondente grego:
a) des- (desleal) / an- (anemia)
b) intra- (intramuscular) / endo- (endovenoso)
c) supra- (supra lingual) / epi- (epiderme)
d) ad- (adjetivo) / dia- (diáfano)
e) bene- (benefício) / eu- (eufonia)

10. (ITA-SP) Assinale a opção cujos radicais substituem respectivamente as expressões a seguir: poder que vem dos ricos - inflamação da boca - medo de doença - aversão à sociedade

a) aristocracia - ortodontia - tanatofobia - xenofobia
b) democracia - buconite - cinofobia - filantropia
c) oligarquia - dispneia - hipnofobia - antropófago
d) plutocracia - estomatite - nosofobia - misantropo
e) pentarquia - cefalalgia - hipocondria - antropófobo

11. (CESGRANRIO-RJ) Assinale a opção em que os dois adjetivos formam substantivos graças à adição dos mesmos sufixos observados em precariedade e escassez:

a) submisso - nu
b) solidário - formoso
c) idôneo - viúvo
d) paciente - embriagado
e) igual - doce

12. (UECE-CE) Pertence à área semântica de chuva a palavra:

a) pluvial
b) plúmbeo
c) fulvo
d) cúpido

13. (CEAP-AP) Assinale a alternativa em que a forma verbal corresponde à estrutura radical + vogal temática + desinência modo-temporal + desinência número-pessoal.
a) admira
b) esquecendo
c) modulava
d) conformou
e) juntavam

14. (UEPB-PB - adaptada) O texto a seguir foi extraído da capa da revista Veja de 12 de junho de 1995.

"O micreiro de 13 bilhões de dólares Aos 39 anos, o gênio dos computadores Bill Gates vira o homem mais rico do mundo"

O substantivo sublinhado, recentemente adicionado à língua portuguesa, se caracteriza por:

a) derivação imprópria.
b) derivação sufixal.
c) derivação prefixal e sufixal.
d) parassíntese.
e) processo de composição por justaposição.

15. (UA-AM) Assinale o item composto exclusivamente com substantivos comuns de dois:

a) cônjuge consorte carrasco
b) algoz testemunha - guia
c) celetista cliente intérprete
d) equilibrista criança pianista
e) pessoa nenê poeta

16.  xxxxxxx

17. (UNI-RIO-RJ)

"Lá está o Maracanã, rampas gigantescas, assentos intermináveis, tudo pronto para o grande desfile de angústias e paixões que precedem a glória de um chute. "

Respeitando o processo coesivo textual, no trecho acima, os elementos sublinhados atualizam, respectivamente,
a) assentos intermináveis / o grande desfile de paixões
b) Maracanã / o grande desfile
c) desfile de angústias / rampas gigantescas
d) assentos intermináveis / angústias e paixões
e) rampas gigantescas, assentos intermináveis angústias e paixões

18. (UFPel-RS) O texto publicitário a seguir, pelo adequado jogo de palavras, ironiza uma situação.
PARAR DE
ANUNCIAR
TAMBÉM
GERA VENDAS.
MUITAS
EMPRESAS
FORAM
VENDIDAS
BARATINHO
POR CAUSA
DISSO.
(Diário Popular, 9/9/2001.)


a) Qual é a ironia presente nessa propaganda?

b) O pronome isso, contido na última palavra da peça publicitária, remete a que expressão?

19. (UNI-RIO-RJ) A opção em que não há correspondência entre a palavra destacada e a classe gramatical a ela atribuída é:

a) "Mal se foi o Salgueiro," - conjunção.
b) "Por que, então, chorar a festa passada...". -locução adverbial.
c) "... o verde rebentou verdíssimo." - advérbio.
d) "... de área a área," - preposição.
e) "... e no instante infinito de um gol" - substantivo.

20. (UNICAP-PE) Assinale a opção que não completa adequadamente o enunciado a seguir:

Uma das formas de manter vínculos seguros entre o que se disse e o que se vai dizer é recorrer aos pronomes, ...

a) formando uma cadeia: "O sujeito que assalta (...) leva seu cachorro à praia cheia...";
b) indefinindo as referências, o que torna as idéias ainda mais generalizantes: "Aval a quem não respeita", "os outros se danem", "a lei é para todos e ninguém está acima";
c) criando expectativa em relação ao que ainda vai ser dito, como é o caso do demonstrativo em: "O que essa corrente de sociólogos sustenta é que, se os pequenos delitos forem coibidos, os grandes diminuem";
d) retomando idéias e períodos completos: "Para que isso fique bem claro...";
e) substituindo termos imediatamente anteriores, como fazem os relativos: "O que permite que os homens possam viver em sociedade é um acordo tácito, um pacto determinando que o direito de um termina onde começa o do outro".

 CONFIRA O GABARITO:
       1 B/ 2 C / 3 B / 4 A/       5 ASPERSÃO, MUDANÇA, ISENÇÃO/       6 E/ 7 A / 8 E/       9 D/       10 D/       11 C/       12 A/       13 E/       14 B/       15 C/       16 xxx       17 E/       18 A) A ironia está na seguinte ideia: parando de anunciar, o empresário continua vendendo, porém não os produtos, mas a própria empresa. B) 'Isso' refere-se a parar de anunciar./       19 C/       20 E  

quinta-feira, 31 de março de 2011

Todo Mundo e Ninguém - Gil Vicente

LEITURA: “TODO MUNDO E NINGUÉM”
RECOMENDADA PARA 1ª. SÉRIE – E.M. - 1a. CERTIFICAÇÃO

INFORMAÇÕES SOBRE O AUTO DA LUSITÂNIA
O Auto da Lusitânia, uma das últimas peças de Gil vicente, foi escrito em 1531 e representado pela primeira vez em 1532, perante a corte de D. João III quando nasceu seu filho, D. Manuel.

A peça trata das bodas de Lusitânia e Portugal (personagens mitológicos), mas Gil Vicente, como muitas vezes faz, mistura no enredo e nos diálogos muitos temas, personagens, e cenas que constituem como "diversões" à margem do tema maior.

Lusitânia é filha de Lisibea (Lisboa) e do Sol, e por ela se apaixonou um caçador grego de nome Portugal. Quando os amores parecem desencaminhar-se, acorrem às deusas (diesas) gregas, com cuja proteção se decide então o casamento. Este o tema, que se desenrola da seguinte maneira: comça o auto com vários diálogos e recitativos de pessoas comuns acerca dos assuntos de amor e outros, alguns picarescos como convém a uma farsa, até que entra em cena o Licenciado, que faz o papel de narrador e representa Gil Vicente; ele introduz o tema das bodas dizendo que o Sol viu Lisibea nua sem nenhuma cobertura (...) e houve dela uma filha tão ornada se sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta Província. Passados tempos, um famoso cavaleiro grego de nome Portugal ouviu falar da boa caça na serra de Sintra (serra da Solércia), e como este Portugal, todo fundado em amores, visse a formosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela.

O texto tem ressonâncias no presente de Gil Vicente, que busca formar um panorama de sua terra, apreendendo a totalidade de suas raízes culturais.

O Auto da Lusitânia classifica-se como uma fantasia alegórica. A peça é dividida em duas partes distintas:

- na primeira parte, assiste-se às atribuições de uma família judaica;

- na segunda parte, assiste-se ao casamento de Portugal, cavaleiro grego, com a princesa Lusitânia. Dois demônios, Belzebu e Dinato, que aparecem no texto vêm presenciar o casamento e escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.

O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.

"Todo o Mundo" era um rico mercador, e "Ninguém", um homem pobre. Belzebu e Dinato tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens. 

O TEXTO

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
                         delas não posso achar, 
                         porém ando porfiando

                         por quão bom é porfiar. 

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
                         e meu tempo todo inteiro
                         sempre é buscar dinheiro
                         e sempre nisto me fundo.


Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
               e busco a consciência.


Belzebu: Esta é boa experiência:
             Dinato, escreve isto bem.


Dinato: Que escreverei, companheiro? 

Belzebu: Que Ninguém busca consciência
              e Todo o Mundo dinheiro.


Ninguém: E agora que buscas lá? 

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
               que tope com ela já.


Belzebu: Outra adição nos acude:
              escreve logo aí, a fundo,
              que busca honra Todo o Mundo
              e Ninguém busca virtude.


Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
                         tudo quanto eu fizesse.


Ninguém: E eu quem me repreendesse
               em cada cousa que errasse.


Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido? 

Belzebu: Que quer em extremo grado
              Todo o Mundo ser louvado,
              e Ninguém ser repreendido.


Ninguém: Buscas mais, amigo meu? 

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
               a morte conheço eu.


Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte? 

Belzebu: Muito garrida:
              Todo o Mundo busca a vida
              e Ninguém conhece a morte.


Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
                         sem mo Ninguém estorvar.


Ninguém: E eu ponho-me a pagar
               quanto devo para isso.


Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
              que Todo o Mundo quer paraíso
              e Ninguém paga o que deve.


Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
                         e mentir nasceu comigo.


Ninguém: Eu sempre verdade digo
               sem nunca me desviar.


Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
              não sejas tu preguiçoso.


Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
              E Ninguém diz a verdade.


Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
              não te fique no tinteiro:
              Todo o Mundo é lisonjeiro,
              e Ninguém desenganado.